Protagonismo Estudantil

A pandemia pegou a todos de surpresa. A suspensão das aulas em função da crise sanitária mudou a rotina de milhões de alunos no Brasil e na EMEF Educandário Dom Duarte não foi diferente. Após quase quatro meses sem aulas presenciais, tendo de se adaptar a uma nova rotina escolar, por meio de aulas remotas, os alunos que constroem o grêmio estudantil da escola seguem se encontrando semanalmente para debater como melhorar a experiência escolar em meio a essa crise. Nas últimas semanas, o assunto mais urgente é o anúncio do retorno às atividades presenciais, no dia 08 de setembro. Os alunos e alunas de nossa escola demonstram grande preocupação com a orientação dada pela Secretaria de Ensino.


Os alunos e alunas sentem falta das aulas presenciais, querem voltar a frequentar a escola para rever seus colegas, professores e retomarem suas atividades normais, mas há um senso de responsabilidade coletiva e uma preocupação bastante forte sobre a possibilidade de serem infectados e transmitirem a doença para seus familiares, sobretudo aqueles que fazem parte do grupo de risco.


“Quando eu penso que acordava todo dia de manhã e ia para escola, mesmo cansada, eu sinto falta dessa rotina, de acordar cedo e ir para escola, fazer as atividades, estar com os professores e os outros alunos. Mas, ainda assim, não é o momento de voltar às aulas presenciais. Já são muitos os lugares que promovem risco de contaminação... a escola provoca aglomeração e isso não é bom.” Giovana Araújo Santos - 9°ano.


“A gente acorda cedo e vai para a escola, eu sinto falta de ir para a escola mas não posso por causa da pandemia, eu concordo que não é a hora de voltar às aulas, mesmo eu querendo. Moro com minha avó e minha bisavó e não quero colocá-los em risco.” João Vitor Alves da Silva - 6° ano


“No começo eu achei que não ia durar muito, no começo foi normal, agora está chato… Minha mãe conseguiu abrir a pastelaria, o que ajudou um pouco. Aqui em casa estamos sem internet… tá difícil, mas tenho medo de me contaminar e passar o vírus para minha família. Estou com uma irmã pequena em casa, minha avó, minha mãe… eu só voltaria para escola se tivesse uma vacina. Se ficarmos em casa não vai piorar (o aumento de contaminados), mas se voltar às aulas presenciais, vai piorar. Temos de ficar em casa.” Henrique Urbano Valdomiro Bezerra - 9°ano.


Em relação às aulas remotas, os alunos que constroem o grêmio dizem estar empenhados e procuram fazer as atividades propostas, entretanto, a adesão ao ensino remoto, segundo os próprios alunos, só movimenta metade dos estudantes. Esses alunos apontam que os motivos da baixa adesão vão desde a falta de condições tecnológicas para o acesso à internet, até a falta de interesse por essa modalidade de ensino. O instituto ComViver, parceiro da escola, fez uma campanha de arrecadação de recursos e disponibilizou 40 chips com internet pré paga para os alunos acessarem as aulas.


Mesmo engajados com a proposta, os alunos preferem que a vida escolar se dê de forma presencial.


“Eu estou aprendendo com as aulas à distância, eu estou conseguindo me aprofundar nos temas propostos pelos professores, mas prefiro mil vezes as aulas presenciais.” Giovana Araújo Santos - 9°ano.


“Eu prefiro as aulas presenciais, mas neste momento de pandemia é melhor seguir com as aulas online.” João Vitor Alves da Silva - 6° ano


“Aqui na escola são poucos os alunos que estão participando das aulas presenciais, na outra escola que eu estudava, a Talles de Mileto (da rede particular), os meus amigos dizem que tem mais gente participando.” Henrique Urbano Valdomiro Bezerra - 9°ano.


Frente ao anúncio dado pela Secretaria de Ensino do Estado de São Paulo, de começar o retorno das aulas presenciais no dia 08 de setembro, mesmo que com parte dos estudantes, os alunos não acreditam que a escola vá se preparar para garantir a saúde da comunidade escolar.


“Mesmo que a gente use álcool em gel, máscara, não tem jeito. Se a gente for para a escola a gente vai querer ficar perto de nossos colegas, falar com eles, não tem como todo mundo manter distância… não tem. Talvez as escolas particulares tenham mais condições de preparar a escola com sabonete, papel, torneiras automáticas com sensor… não sei se a nossa escola conseguirá se preparar dessa forma.” Henrique Urbano Valdomiro Bezerra - 9°ano.


“Esse pessoal que diz que a escola está preparada para retornar às aulas está louco! Não tem como a escola estar preparada para o retorno presencial.” Giovana Araújo Santos - 9°ano.




Os alunos que constroem o grêmio da escola estão preparando um formulário, que será enviado pelo Google Sala de Aula, para saber a opinião de um número maior de alunos. A ideia é escrever um texto que represente o sentimento da categoria sobre a proposta do retorno às atividades presenciais e diagnosticar os motivos que promovem a baixa adesão às aulas remotas. O documento deve conter, também, exigências que possam garantir a saúde da comunidade, como a garantia de sabonete e papel nos banheiros.


* O projeto de formação do grêmio estudantil é mediado pela professora Tiemi Okimura Kerr, com o apoio do Instituto ComViver, por meio do professor Daniel Brito, que também apoia o projeto de jogos teatrais na escola, pelo mesmo instituto.



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